Saiba mais sobre: Doença descompressiva

O que acontece durante o mergulho

Ao mergulhar utilizamos o mesmo ar que respiramos normalmente. Porém, todo gás responde de acordo com as leis da física, dependendo da pressão que está sujeito. Se o mergulhador vai mais fundo, ocorre aumento da pressão ambiente.
Quando estamos ao nível do mar a pressão é equivalente a uma atmosfera, e para cada 10 metros abaixo do nível do mar é acrescentada mais uma atmosfera. Ou seja, a pressão aumenta consideravelmente a c ada 10 metros. Com essa pressão, as maiores mudanças no seu corpo ocorrem nos primeiros 10 metros.

Enquanto você mergulha e respira, o nitrogênio se distribui por todo o seu corpo através da circulação sanguínea e os tecidos ficam carregados com nitrogênio dissolvido. De acordo com a profundidade do mergulho e o tempo que o mergulhador permanece nela, o processo aumenta e dessa forma mais nitrogênio é dissolvido e maior é o resíduo dele no corpo. O oxigênio puro abaixo dos 6 metros de profundidade se torna altamente nocivo para o organismo, portanto o nitrogênio é importante como acompanhante do gás.

O Nitrox é Ar Enriquecido, suas principais aplicações são para recompressão terapêutica e para o mergulho.
A mistura do Nitrox é composta por Nitrogênio e Oxigênio, como o ar atmosférico.

Quando surge a doença descompressiva?

Quando chega a hora de voltar para a superfície, você passa de uma pressão maior para menor. O gás precisa sair do seu corpo para que possa fazer novo mergulho. No intervalo de superfície acontece essa descompressão do ar pela variação da pressão.

É como um processo inverso e se ocorrer de forma muito rápida, bolhas de nitrogênio se formam no sangue. Isso ocorre pois o gás se dissolve fora dos tecidos, podendo danificar os vasos sanguíneos, além de obstruir a circulação normal. Para evitar a situação, devemos subir a uma velocidade inferior à velocidade das bolhas que você vai liberando enquanto sobe.

Resumindo: À medida que você desce, o volume de gás diminui em resposta ao aumento de pressão. Quando sobe, o volume do gás aumenta em resposta à diminuição da pressão. A Lei de Boyle também explica esse fenômeno.

Então, se você subir muito depressa pode desencadear a doença descompressiva ou barotrauma. Quando o trauma é causado por uma mudança na pressão, pode ocorrer em qualquer espaço anatômico, que é preenchido com gás. Isso inclui o ouvido médio (sendo a forma mais comum), seios perinasais, dentes e pulmões (sendo a forma mais grave).

Quais os sintomas?

Eles variam de acordo com o local onde as bolhas se formaram no corpo. Vão de dores de cabeça e vertigens, cansaço ou fadiga, erupções cutâneas, dor nas articulações, formigamento nos braços e pernas até fraqueza muscular ou paralisia. E, em alguns casos mais graves, ocorrem dificuldades respiratórias, choque ou perda de consciência. Esses sintomas podem ocorrer nas primeiras 24 horas após o mergulho. Mas cerca de 50% dos mergulhadores sentem alguns desses sintomas na primeira hora após o mergulho.

Como prevenir

Você pode evitar que isso aconteça com algumas ações simples. Entre elas, não subir mais que 10 metros por minuto e fazer uma parada de segurança de 3 minutos aos 5 metros de profundidade. Além disso, usar as tabelas de mergulho corretamente faz com que seu corpo libere o nitrogênio e que seus resíduos sejam menores ao final do mergulho. Também é importante fazer novo mergulho apenas após um intervalo de superfície, para que seu corpo libere o nitrogênio e não fique saturado.  E se for viajar de avião, deve manter um intervalo de pelo menos 24 horas em relação ao mergulho.

O mergulhador deve ficar atento para a parada de segurança durante a subida, para que não desencadeie a doença descompressiva.
Parada de segurança.

Como tratar

Em todos os casos que houver algum sintoma, é necessário o atendimento médico hospitalar assim que chegar em terra.  Deve-se acionar o SAMU para que o mergulhador seja encaminhado com segurança até o hospital.

É necessária a avaliação do médico para a constatação de algum risco que possa agravar a condição da pessoa. Lembrando que as bolhas podem parar em várias partes do corpo, como vimos acima. Além do oxigênio a 100%, existe também o tratamento em câmaras hiperbáricas. Esta permite que o mergulhador volte à pressão que estava durante o mergulho e faça a descompressão de forma correta.

O oxigênio puro é uma alternativa de tratamento para os sintomas da doença descompressiva.
Oxigênio a 100%.
A câmara hiperbárica é um dos tratamentos para quem sofre a doença descompressiva.
Câmara hiperbárica.

Para evitar essa situação, é necessário seguir sempre à risca a tabela de mergulho. E, claro, planejar corretamente as atividades, nunca fazer mais tempo de fundo que o permitido e nem ir mais profundo.

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